Clique aqui para voltar à página inicial

EM NOTÍCIAS

ÍNTEGRA

Diretrizes Gerais de Comando do CPOR/São Paulo para o biênio 2008/2009, as quais foram publicadas no Boletim Interno n.º 013, de 18 de janeiro de 2008

 

MINISTÉRIO DA DEFESA

EXÉRCITO BRASILEIRO

DEP – DFA

 

CENTRO DE PREPARAÇÃO DE OFICIAIS DA RESERVA DE SÃO PAULO

(CPOR/2.ª RM/1930)

“CENTRO SOLAR DOS ANDRADAS”

 

Ofício n.º 002 - Gab Cmdo                                            

                                                                            São Paulo, 14 de fevereiro de 2008

 

 

Senhor,

 

Versa o presente expediente sobre remessa de documento para conhecimento e providências julgadas cabíveis.

 

Remeto-vos, em anexo, as Diretrizes Gerais de Comando do CPOR/São Paulo para o biênio 2008/2009, as quais foram publicadas no Boletim Interno n.º 013, de 18 de janeiro de 2008, desta Escola.

 

Outrossim, aproveito a oportunidade para manifestar meus protestos de elevada estima e consideração.

 

Atenciosamente,

 

 

 

MARCELO ANTONIO NEVES – Coronel

     Comandante do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo

 

 

 

 

Ao Senhor

ANIZ BUÍSSA

Presidente da Associação Brasileira de Oficiais da Reserva do Exército

Rua Alfredo Pujol, 681

São Paulo – SP

 

 

DIRETRIZES GERAIS DE COMANDO DO CPOR/SP PARA O BIÊNIO 2008/2009

 

O Exército Brasileiro, como parte integrante da sociedade, está em contínua evolução e aperfeiçoamento, sendo o homem o grande responsável e, ao mesmo tempo, o fulcro desse processo.

 

Sendo assim, a formação de recursos humanos, em especial a de oficiais, cresce de importância, como parte fundamental no processo evolutivo da Força, complementar e perfeitamente harmônico às necessidades do Exército e ajustado às diretrizes de ensino dos escalões superiores.

 

Cabe lembrar que o trabalho como membro do corpo docente é extremamente importante, em particular quando se trata de formação, tendo em vista ser a fase onde se introjeta os valores da Força e se indica padrões éticos que nortearão a vida do formando, dentro e fora da caserna.

 

Ressalto, também, o papel dos oficiais e praças responsáveis pelas atividades meio, incumbência tão importante quanto a atividade docente, pois propicia condições adequadas de conforto, segurança e viabilidade do processo de formação, razão de ser de uma escola de formação.

 

Nesse contexto, cabe ao Comandante do CPOR/SP estabelecer diretrizes, parâmetros, normas de conduta e objetivos a serem alcançados em projetos de curto, médio e longo prazo, dentro do período de comando.

 

O CPOR/SP é uma escola de formação de tenentes, homens que serão líderes de pequenas frações e que em futuro não muito longínquo serão líderes nas comunidades de onde vieram. Eles devem ser preparados para tal e cabe a este Estabelecimento de Ensino realizar essa nobre missão.

 

Portanto, o tenente instrutor deve ser o paradigma, a grande referência para o aluno, devendo se portar em todas as circunstâncias como um exemplo a ser seguido, tanto social como profissionalmente. Deve ser solidário, dar o exemplo de apresentação individual, ética, liderança, capacidade técnica, conhecimento profissional, além de conhecer profundamente cada um de seus comandados, de modo a saber suas potencialidades, limitações e problemas, a fim de poder avaliar o grau de exigência a ser imprimido àquele futuro tenente, procurando desenvolver-lhe as aptidões necessárias à liderança dele exigida.

 

Aos Instrutores Chefes dos diversos cursos, convém lembrar que a evolução doutrinária e tecnológica é constante, exigindo acompanhamento didático que possibilite a formação de profissionais capazes de se adaptar rapidamente às evoluções do combate. Sua orientação deve ser diuturna, cerrada e deve direcionar os esforços de modo a permitir um constante aprimoramento do processo e uma eficaz utilização dos meios disponíveis.

 

Lembro que os treinamentos devem se aproximar das exigências de uma situação real, no que concerne às solicitações de ordem intelectual, física e psicológica, sem, contudo, caracterizar trato inadequado, trote ou desrespeito ao subordinado.

 

Os exercícios em campanha, jornadas no campo, exercícios de longa duração, com ou sem o emprego de armamento e munição real, deverão ser programados antecipadamente e normatizados por ordens de instrução e de serviço, atribuindo responsabilidades e delimitando os parâmetros de seu desenvolvimento. A segurança, a preservação do meio-ambiente e o respeito à propriedade privada, em todas as atividades, deve ser alvo de planos adrede preparados e antecipadamente aprovados pelo Chefe da Divisão de Ensino.

 

Ao longo do ano letivo, serão organizados seminários, simpósios e encontros, cujos objetivos serão levar o CPOR/SP para o centro das discussões dos assuntos de maior importância para a Força, sempre que possível, congregando os corpos docente, discente, a sociedade e o meio acadêmico. Essas atividades serão tão valorizadas quanto as rotineiras e devem ser encaradas por todos como possibilidades de crescimento profissional.

 

Aos oficiais e praças da área administrativa, artífices de um trabalho de bastidor de fundamental importância para o desencadeamento das atividades de formação dos alunos, convém lembrar que tais funções existem para propiciar uma estrutura adequada ao processo ensino-aprendizagem, não devendo, portanto, ser um fator limitador que restrinja a atividade fim. A equipe deve ser ágil, versátil, proativa e eficaz, atuando com presteza desde o serviço das guardas até o tratamento do erário, possibilitando que a formação dos alunos tenha desenvolvimento contínuo, progressivo, adequado e sem solução de continuidade.

 

Aos alunos, lembro a responsabilidade que lhes cabe, tendo em vista a condição de voluntário a que se propuseram em uma rigorosa seleção a que todos foram submetidos e efetuada em um universo de alto nível. As atividades intelectuais, físicas e militares serão intensas e o grau de exigência será compatível ao de uma escola de formação de oficiais, cujos alunos selecionados se encontram plenamente capacitados a enfrentar os desafios que doravante surgirão.

 

Espera-se de cada um dos alunos, ao longo desse ano de instrução, todo o esforço e dedicação como contrapartida ao meticuloso trabalho empreendido pelo Exército, no sentido de proporcionar as melhores condições de aprendizagem. Embora recebidos com alegria e grande expectativa, é bom frisar que não encontrarão o conforto e aconchego de seus lares, as instalações desta escola são espartanas, funcionais e suficientes para atender as necessidades básicas dos alunos e desenvolver o espírito de corpo, rusticidade e capacidade de adaptação, necessárias aos líderes de pequenas frações.

 

Aos soldados recém incorporados, dirijo minhas palavras de confiança e de estímulo, visto que foram selecionados dentre os jovens aptos desta classe, para cumprirem a importante e difícil missão de se prepararem para a defesa da pátria e, ao mesmo tempo, cooperarem na formação de mais de uma centena de oficiais. É uma sobrecarga inquestionável e este Comando conta, desde já, com cada um dos novos soldados, que orientados pelos oficiais e praças da Cia Cmdo corresponderão a todas as expectativas de maneira responsável e eficiente.

 

A todos os comandados, colaboradores, funcionários, concessionários e associações, enfim, condôminos que labutam, compartilham do mesmo espaço físico do Solar dos Andradas e que com suas atividades agregam valor e contribuem para o crescimento profissional dos jovens que ora se propõem a enfrentar o grande desafio da conquista do oficialato, é bom lembrar que, tal como uma orquestra, uma Organização Militar está sob um comando único, uma única batuta a sincronizar as diversas e simultâneas ações a serem realizadas, no sentido de priorizar a formação adequada, completa e atual desses jovens, que ao final do curso deverão estar em condições de iniciar suas atividades profissionais ou passarem à reserva, prontos para uma futura mobilização.

 

Isto posto, recomendo a fiel observância da cadeia de comando, na qual o comandante da escola, após o assessoramento de seu estado-maior, deve ter a palavra final sobre tudo o que se pretender realizar, dentro e fora deste aquartelamento, que tenha reflexos sobre o andamento da instrução, vida administrativa ou que crie repercussões envolvendo o nome do CPOR/SP.

 

Lembro, ainda, que a ética militar, fundamental para o estabelecimento de relações de confiança entre camaradas, deve permear absolutamente todas as atividades que envolvam superiores, pares e subordinados, da ativa e da reserva, civis e militares, dentro e fora da caserna, com o fulcro de permitir o exercício da aprendizagem pelo exemplo, por parte dos alunos e soldados recém incorporados, e de estabelecer relações sadias, francas e transparentes, nas diversas esferas de comando.

 

No que diz respeito às oportunidades de aperfeiçoamento pessoal e profissional, este Comando vê de maneira positiva qualquer iniciativa no sentido de se buscar uma evolução intelectual, tanto dentro como fora da Instituição, por meio de cursos de graduação e pós-graduação. Cabe, no entanto, um alerta no sentido de esclarecer aos meus camaradas que os cursos de interesse da Força serão, no âmbito deste Comando, estabelecidos e priorizados pelo Comandante, e que as atividades de serviço terão precedência sobre as iniciativas pessoais e particulares de aprimoramento.

 

A interação desta escola com a sociedade paulistana é de vital importância e deve ser aproveitada como uma forma de ensinar aos alunos as diversas possibilidades de integração entre a Força e a comunidade, por meio de eventos que estimulem o desenvolvimento do senso do bem comum, do espírito de cooperação e da responsabilidade social.

 

Os diversos campos de atividade a serem explorados ao longo deste biênio serão regulados em momento oportuno, distribuídos em projetos e destinados a equipes incumbidas de coordená-los e executá-los.

 

Na conjuntura atual, considerando a permissividade da sociedade, seria ingenuidade desconsiderar as diversas vivências possíveis com relação às drogas, sejam elas quais forem, lícitas ou ilícitas, aliadas aos decorrentes desvios de conduta e círculos de dependência. Seja a experiência como usuário, conivente, tolerante ou, a mais perniciosa e insidiosa delas, como traficante. Lembro que qualquer desvio de conduta será implacavelmente tratado sob os rigores da lei, de maneira a expurgar do âmbito deste Estabelecimento de Ensino os malefícios que traz a convivência com pessoas afetadas por esse tipo de dependência, ou que se aproveitam criminosamente dela.

 

Por fim, concito a que cada um dos integrantes deste tradicional e respeitado Estabelecimento de Ensino una forças e crie a necessária sinergia capaz de realizar harmonicamente qualquer projeto que se pretenda empreender, de maneira a torná-lo uma realização de todos, com a participação de cada um de nós.

 

Aos tradicionais e incansáveis colaboradores de sempre, de antemão, manifesto a minha disposição para futuras empreitadas e, desde já, agradeço a compreensão, o espírito de equipe e o acatamento dessas diretrizes. As ordens anteriores continuam em vigor e as eventuais mudanças serão gradativas e no tempo adequado.

 

Tenham a certeza que o Comandante está motivado para esta nobre missão e espera contar com a cooperação espontânea, irrestrita e fundamental de seus comandados, colaboradores e de todos que de algum modo queiram contribuir para a melhoria da estrutura física e para o desenvolvimento cultural desta Escola de Formação que tanto significado tem para o Exército e, em especial, para a comunidade paulistana.  

 

São Paulo, 18 de janeiro de 2008

 

 

Marcelo Antonio Neves – Cel Art Cmt CPOR/SP